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日志


2007/10/9

Quarenta anos sem Che Guevara, o revolucionário errante

Quarenta anos sem Che Guevara, o revolucionário errante

Em 9 de outubro de 1967, o guerrilheiro argentino Ernesto Guevara de la Serna, mais conhecido como Che Guevara, foi fuzilado na aldeia de La Higuera (Bolívia) e teve interrompido seu mais ambicioso projeto: o de promover uma revolução em toda a América Latina.

Che tinha entrado na Bolívia em novembro de 1966 e tinha a seu lado um grupo formado por cerca de 50 pessoas - bolivianos, cubanos e peruanos.

Ali se propunha a treiná-los para uma "revolução continental", mas com suas forças revolucionárias cada vez mais enfraquecidas por mortes em combate, capturas e deserções, acabou capturado pelo Exército boliviano em 8 de outubro de 1967, em um vale remoto conhecido como Quebrada do Churo.

"Sou Che. Não disparem", pronunciou a seus seqüestradores, antes de ser levado para uma escola em La Higuera e executado no dia seguinte por ordem do então presidente boliviano, general René Barrientos.

Curiosamente, o homem que estava por trás do fuzil que matou o guerrilheiro, Mario Terán, recuperou a visão graças a cirurgiões cubanos, após uma operação de catarata. Nesta viagem à ilha, viu como Cuba conserva a imagem de Che.

Ao contrário da cidade natal do guerrilheiro, a argentina Rosário, que prepara um calendário para comemorar os 80 anos do nascimento de Che, ocorrido em 14 de junho de 2008, os exilados do regime castrista criticarão uma figura que defendeu a extinção do imperialismo e a conseqüente recuperação dos países subdesenvolvidos, mas sempre por meio da luta armada.

Apesar disso, Ernesto Guevara de la Serna havia sido criado no seio de uma família de classe média-alta argentina e sua infância foi marcada por uma asma crônica, que mais tarde o impediria de entrar para o serviço militar.

Sua vida acadêmica foi construída tendo como bases uma ampla instrução humanística e conhecimentos de francês, e sua formação profissional, a de médico especialista em alergia, teve de deixar para trás em 1953 para viajar à Guatemala e incorporar-se ao Partido Guatemalteco do Trabalho, de ideologia comunista.

"Da medicina posso dizer que faz tempo que a abandonei. Agora sou um combatente que está trabalhando na afirmação de uma ideologia. O que vai ser de mim? Eu mesmo não sei em que terra deixarei os ossos", escreveria a seu pai anos mais tarde.

Che tinha dado rédea solta a sua vocação errante com viagens pela América Latina, primeiro com Alberto Granado em uma motocicleta em 1951 e depois com Carlos Ferrer em 1953. A primeira serviu de pano de fundo para o filme "Diários de Motocicleta", do diretor brasileiro Walter Salles.

Seu domínio de linguagem e a paixão pela leitura, que despertou sua curiosidade para Goethe e Sartre, ajudaram notavelmente a moldar seu carisma.

"O subdesenvolvimento é um anão de cabeça enorme e barriga inchada: suas pernas débeis e seus braços curtos não se harmonizam com o resto do corpo (...) Isso é o que na realidade somos nós, os suavemente chamados 'subdesenvolvidos', na verdade países coloniais, semicoloniais ou dependentes", escreveria.

A dependência que a América Latina tinha com relação aos Estados Unidos foi o motivo do fim de seu primeiro projeto político na Guatemala, quando a Casa Branca apoiou a derrocada do presidente Jacobo Arbenz e obrigou Che a trasladar-se para o México.

Lá, conheceu em 1956 Fidel Castro e se uniu a ele - primeiro como médico e mais tarde como comandante - em sua expedição armada para expulsar do poder o presidente cubano Fulgencio Batista, em uma coluna guerrilheira que, a partir do leste da ilha, tomou Santa Clara (centro) e em 1º de janeiro de 1959 conquistou o triunfo da revolução.

Depois do feito, Che adotou a nacionalidade cubana.

A mudança da condição de guerrilheiro para membro de Governo teve poucos atritos com sua integridade ideológica - próxima ao marxismo-leninismo radical, mas tão heterodoxa que seria denominada "guevarismo" -, e, após desempenhar cargos como o de presidente do Banco de Cuba e o de ministro da Indústria, deixou a ilha em 1965.

A partir desses anos, voltou a sua condição de guerrilheiro incansável com sua "revolução continental", cujo destino mais distante seria a República Democrática do Congo, país ao qual chegou caracterizado como um homem de 46 anos chamado Ramón Benítez. Seu exército fracassaria estrondosamente em solo africano.

"Sejam sempre capazes de sentir profundamente qualquer injustiça cometida contra qualquer um em qualquer parte do mundo. É a qualidade mais linda de um revolucionário", escreveu em seus últimos anos aos quatro filhos de seu segundo casamento.

O primeiro casamento de Che foi com a peruana Hilda Gadea, com quem teve uma filha, Hildita, e, já em Cuba, conheceu Aleida March de la Torre, com quem teve Aleidita, Celia, Camilo e Ernesto.

Assim, chegou a seu destino final, a Bolívia, país no qual, após um ano de luta, sua morte prematura foi, paradoxalmente, a forma mais efetiva de manter eterna a inspiração de seu lema: "Até a vitória, sempre".


Fonte: www.yahoo.com.br

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